Meu relacionamento

Da convivência que tornamos maleáveis

Na convivência do dia a dia aprendemos a trabalhar com as  nossas diferenças

Depois de muito tempo trabalhado numa empresa, tive a oportunidade de reencontrar os velhos amigos com quem convivi por alguns anos e, fiquei contente com a acolhida da parte de cada um deles.
Apesar de o tempo ter sido implacável, muitos de nós já não tinha aquela aparência jovial de algumas dezenas de anos atrás. Para alguns os cabelos já tinham ido embora, outros ganharam peso e de maneira geral, as rugas não escondiam o tempo passado, registrando suas marcas na pele de cada um de nós. Entretanto as lembranças brotavam com vitalidade e as histórias sobre alguns fatos que acontecia em meio às tarefas ordinárias, fluíam entre risos.

Embora tivesse feito parte daquela conversa alguns comentários sobre algumas queixas, as boas lembranças eram maiores na maior parte da conversa.

Naquele ambiente de trabalho, a convivência era com pessoas de diferentes temperamentos, com idade e maturidade também diferentes, mas que de certa maneira foi possível fecundar boas amizades. No relacionamento do dia a dia fomos forjados a trabalhar com as diferenças próprias de cada um e conhecendo suas limitações, aprendemos a respeitá-las. Em outras vezes, foi necessário fazer algumas concessões, mudar a nossa maneira de agir e reavaliar os próprios conceitos. Contudo, se hoje posso chamá-los de velhos amigos, lembremos que isso só foi possível ao longo do tempo que nos fez maleáveis uns para com os outros.

Apesar de todo esforço de querer viver bem com todos, notamos que há pessoas que gostamos de estar perto e outras, não fazemos questão de estabelecer estreitos laços de amizades. Dependendo do ambiente em que estamos inseridos, seja no trabalho, na comunidade ou no serviço pastoral, a convivência com essas pessoas não poderá deixar de existir.

Há muito tempo, em um determinado evento, alguém me falou: “Se o mundo não está bem é porque eu não estou melhor!” A partir disso, demorou um pouco para eu perceber que, em outras palavras, o significado daquela frase mostrava que a minha impressão sobre determinada situação poderia ser diferente mas, dependia da minha atitude em justificar a situação.

Se diante de uma crise derramamos o nosso veneno sobre a leitura dos acontecimentos, em breve, a nossa experiência e o nosso conceito sobre aquele determinado relacionamento será contaminado por nossas próprias toxinas. Então, facilmente, vamos  rotular a pessoa como alguém de difícil convivência.

Ninguém nasceu programado para reagir de maneira primorosa as diversas situações dentro de um relacionamento. Já percebemos que o mundo não é regido segundo a nossa vontade ou sobre aquilo que achamos ser o nosso jeito de aplicar a verdade. Ao contrário, fomos aprendendo a fazer um entendimento sobre esse pequeno universo, o qual fazemos parte.
A maneira como nós vemos e como enquadramos as pessoas naquilo que acreditamos ser o nosso correto, provoca uma repercussão significativa na aceitação das limitações do outro.

Quando estamos dispostos a mudar o nosso jeito de trabalhar com os nossos  impasses e julgamentos, conseguimos ver melhor como estamos construindo o nosso mundo. Ao reavaliar a maneira como aplicamos os nossos valores, mudamos a maneira de ver o mundo. Dessa maneira, sem perceber, vamos deixar “bons sinais”  da nossa presença na vida de cada uma daquelas pessoas que passam por nós, sem deixarmos de conviver também com aquelas outras com quem aprendemos a tratá-la na boa educação.

Um abraço

Dado Moura

Compartilhe com seus amigos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *