Meu relacionamento

O envelhecimento não abre exceções para ninguémO envelhecimento não pode nos assustar  mas com ele precisamos aprender a ser menos crítico com as nossas imperfeições

Envelhecer é perceber a ação implacável do tempo sobre a nossa natureza.  É reconhecer que a cada ano diminui a nossa vitalidade para aquelas coisas que, anteriormente,  parecia não demandar esforços.
A  pele já não tem a mesma elasticidade de quem tinha 15 anos e por isso facilmente se percebe as pequenas dobras junto dos olhos, nas mãos,  além de algumas outras manchas provocadas pelo sol. Os cabelos, aqueles que ainda restam, perdem  a cor e os olhos já não conseguem ler senão,  com a ajuda dos óculos… E esse fenômeno não abre exceções para ninguém.

Fazer uma retrospectiva de meio século de vida não é somente constatar a ação predatória do tempo sobre nosso organismo, mas é, sobretudo, reconhecer as muitas vitórias alcançadas. É também  uma oportunidade para perceber outros erros, os quais poderiam ser evitados se tivéssemos um pouco mais de cautela ou em outras ocasiões, se fosse reprimido o ímpeto de um temperamento imaturo.
A cada década que retrocedemos é possível  reconhecer o quanto amadurecemos com aquilo que a vida tem nos ensinado.

Com todas essas coisas, para algumas pessoas também se aproxima o tempo da aposentadoria. E aqueles esforços empreendidos para firmar uma carreira, fazer economias para garantir o futuro,  parece ser apenas parte de uma equação que teria como resultado um final feliz, com a sensação de ter sido produtivo.
Diante do inevitável,  vale então a lição de aprendermos a  conviver com os pensamentos  e nos moldarmos – dentro do possível –  às atitudes das novas gerações.

Certa vez, minha avó, que já estava perto dos 90 anos, disse que se sentia como se não houvesse mais lugar para ela no mundo. Depois disso viveu mais 12 anos, num mundo de poucas pessoas e onde já não era mais importante saber das horas.
Talvez, ela até teria suas razões para afirmar tal sentimento, pois aquilo que movimentava seus dias e que foi por muito tempo um objetivo a ser alcançado; com a independência dos filhos, deixou de ser para ela, o motivo que a estimulava a acumular forças para enfrentar seus desafios.
Imagino que para outras pessoas que marcaram sua presença através de grandes sucessos, pode parecer ainda mais difícil acolher esse momento em que os holofotes se apagam e sobre elas caem as sombras do anonimato…

Entretanto, muito mais que desfrutar do tempo, parece ser prioritário para cada um de nós  cultivar e manter a saúde dos nossos relacionamentos, com aqueles que têm participado do nosso dia-a-dia  e que conosco estão na mesma estrada. Dessa forma, poderemos juntos, viver de maneira gradual a transição para outro momento sem perdermos a autoestima. Pois, um dia, a nossa conversa poderá deixar de ser interessante e a velocidade dos nossos passos já não serão tão convidativos para um passeio.
O envelhecimento não pode nos assustar  mas com ele precisamos aprender a ser menos crítico com as nossas imperfeições, tendo como objetivo cultivar a simpatia e ser  amados.

Um abraço

Dado Moura

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2 Comentários

  1. Muito interessante… parabéns

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