violência domestica e familiarMais comum do que as estatísticas apresentam, a violência doméstica e familiar é um fato explícito ou, muitas vezes, velado, encoberto, praticado dentro de casa, entre parentes (homem e mulher, entre filhos, dos filhos para com os pais e vice-versa, dentre outros), incluindo a violência e o abuso sexual contra criança, os maus-tratos contra idosos e contra a mulher, e violência contra o parceiro. Este problema se torna cada vez mais evidente, porque as marcas não são apenas sociais, mas geram um problema de saúde pública e cuidados que cada vez mais são percebidos e necessários às vítimas desses tipos de violência.

As pesquisas divulgadas mostram que os meninos são vítimas mais frequentes de violência física, porém, no que se refere à violência sexual, as vítimas mais frequentes são as meninas (3 a 4 meninas para um menino). Em muitos casos, a violência sexual e a violência física costumam aparecer juntas e nos três casos são um risco para o processo de desenvolvimento saudável da pessoa. É importante destacar a violência psicológica que também é sofrida.

A abertura para esse assunto não é muito fácil, pois, muitas vezes, a violência é silenciosa, envolve segredos familiares e aproxima-se dos agressores que, muitas vezes, estão mais próximos do que a família gostaria de encarar.

É interessante entender o que é cada um dos tipos de violência e saber como lidar com ela.

a) Violência física – ação única ou repetida, intencional, cometida por um adulto ou pessoa mais velha que a criança ou adolescente, que provoque dano físico, de grau variado de lesão que leve até à morte;

b) Violência psicológica – envolve um padrão de comportamento destrutivo do adulto, que interfere negativamente na competência social da criança, por meio de práticas de rejeição, isolamento, ameaça, descaso, corrupção, expectativas e exigências irreais, violências que não deixam marcas físicas, mas afetam diretamente o comportamento e o lado emocional dos violentados;

c) Violência sexual – ato ou jogo sexual, com a intenção de estimular sexualmente ou de usar a criança ou adolescente para obter satisfação sexual por parte de adulto ou de pessoa em estágio mais avançado de desenvolvimento. Existe também a chamada negligência que pode ser caracterizada como o abandono parcial ou total dos responsáveis e/ou a omissão quanto a oferecer as necessidades básicas e da supervisão essencial à segurança e ao desenvolvimento da criança, quando não associadas a privações socioeconômicas.

A violência contra a criança mostra-se, na maioria das vezes, como fator de risco para que apresentem problemas de comportamento, ajustamento escolar e de uma percepção social negativa, ou seja, com uma visão distorcida, amedrontada e até mesmo isolada dos relacionamentos sociais. Para enfrentar este problema, são utilizadas as chamadas redes sociais de apoio, ou seja, todos os recursos pessoais da criança e da família que são usados para enfrentar o problema da violência, como a própria família, a escola, os meios sociais frequentados pelas vítimas, além do suporte público e político no combate de tais situações.

Outra forma de agressão cometida por pais e parentes que pode prejudicar o desenvolvimento emocional, muito comum por aparentemente não causar danos às vítimas, são as violências psicológicas. Comparar a criança com o seu irmão, apontar os defeitos físicos e intelectuais ou castigá-la trancando-a no quarto escuro, são exemplos desse tipo de violência, dificilmente detectada, pois o agressor acredita que seu ato é apenas uma brincadeira ou forma de educar, mas pode gerar medos e conflitos na criança ou jovem.

Os principais sinais apresentados pelo jovem ou criança que sofre violência são: ansiedade, choros constantes sem aparente motivo, medo, pesadelos, tentativas de suicídio, marcas de violência no corpo, ataques de pânico, baixo rendimento escolar, sentimento de inferioridade.

Se a sociedade pudesse viver o verdadeiro uso da palavra “amar”, que não aquele afirmado também pela mídia, ligado apenas ao namoro e ao sexo, e sim pensar no amor por sua definição mais simples – relacionar-se com igualdade de consideração, sem superioridade ou inferioridade, sendo tolerantes às falhas e diferenças humanas – muitos casos não seriam mais presenciados. Amar é não fazer ao outro coisas que nós não gostamos que sejam feitas conosco. O que nós não gostamos de receber, certamente o outro também não deve gostar.

A partir desta vivência, nos tornaremos cooperadores um do outro em vez de destruidores. Que possamos ser agentes na extinção desta violência, com o máximo de respeito e ação frente a tais situações.

Elaine Ribeiro
Formada em Psicologia Clínica e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas
contato:  elaineribeiro@hotmail.com

(*)artigo publicado com a permissão da autora

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7 Comentários

  1. Dado, vc tem algum material sobre abuso emocional praticado por mulheres contra homens? Já li algo sobre homens abusando emocionalmente de mulheres mas é difícil achar uma literatura do caso contrário (os famosos 2% que existem, mas que eu descobri na carne que existe)

    obrigado!

  2. HOJE O GRANDE PROBLEMA DA VIOLENCIA É A FALTA DE DEUS NO CORAÇÃO DE CADA UM HOJE AS PESSOAS SÓ PENSA NO EU E ESQUECE DO PRÓXIMO.

  3. O que falta nas familias e amor ao proximo.Deus na vida das pessoas . Peço ao Espirito Santo de Deus que habite em cada casa,em cada família em cada ser humano só assim seremos felizes.
    Um abraço.

  4. Carlos Alberto Granziol

    Ontem se colocava a forma de educar um pouco diferente das que se tem hoje, a Ciência está mais presente no mundo atual dando apoio, alguns ainda acham que certo rigor com a criança é melhor mas notei que podemos conseguir muito com elas, pra isto precisamos ter muita paciência e disposição para o diálogo, mas isto não justifica a violência na família, tem uma frase interessante: “respeito é bom e eu gosto”, enfim um bom feriado.

  5. humberto tognin

    ^Bom dia…..Que tristeza é esta de se ver adultos violentando moralmente, psicologicamente, ou fisicamente a outra pessoa……isto é devido ao reflexo incontrolavél de seu mundo interior……..nós não nos conheçemos, quem sou….onde estou…oque estou fazendo aqui…para onde vou…..isto é um caso de falta de conhecimento espiritual….desenvolvimento da espiritualidade….somos cegos e assim agimos fazendo estes absurdos. Isto é um caso de igreja..não de psicologo.abraços…

  6. A violência familiar e doméstica, é fruto da falta de paz dentro dos lares de hoje.

    Famílias? O que são famílias? Mãe e filhos; mãe e filhos acompanhados de um “estranho”? Netos e avós? Pais e filhos acompanhados de uma “estranha? Sim, essas são as “famílias” de hoje (e sem falar nas demais existentes mundo afora).

    Deus disse: Deixará o homem, seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne.

    Por não cumprir essa ordem de Deus as famílias se tornaram “ajuntamento” de pessoas. Pessoas estranhas, especialmente às crianças, que satisfazem os desejos momentaneos do outro (sejam eles sexuais, financeiros, emocionais, psicológicos) mas que não tem o vínculo do amor entre os membros desse grupo familiar. Daí podem surgir violências físicas, psicológicas, sexuais, emocionais, etc.

    Pior ainda quando, numa família de membros consanguineos, acontecem violências que a nosso ver são inexplicáveis, mas se buscarmos a raiz de todo mal familiar, a primeira característica é o afastamento de Deus de um dos membros ou de todos.

    É claro que não podemos generalizar, pois “quem está de pé veja para que não caia”. Pois o demônio está ao redor, querendo nos devorar, portanto, fugir das tentações e cumprir a doutrina da nossa Igreja e, acima de tudo, manter a castidade, fugir da fornicação, do adultério, das bebedeiras, da luxúria, dos maus pensamentos, etc É manter a porta do nosso coração fechada para o diabo e para a violência doméstica.

    Rogo ao Espírito Santo que dê a todos nós paz, bondade, benignidade, sabedoria, paciência, domínio próprio e temor de Deus.

    Amém!

  7. Dado, boa noite.
    Sofri várias violências pisicológicas quando eu estudava no primário em um colégio de freiras.
    Um dia, no recreio, umas garotas me empurraram e caí ajoelhada em frente a uma freira, ela me levandou com força pelo braço, não escutou meu argumento de que me empurraram e me levou para a secretaria, fiquei de castigo o resto do recreio.
    Eu deveria ter uns 6 ou 7 anos.
    Não esqueci até hoje, me marcou muito.
    Um abraço.

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